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Artigos e Viagens

Betta Splendens - O nosso galo de briga

Autor William Sugai 1993

Um belo peixe ornamental, senão um dos mais bonitos, o Betta splendens tem origem o sudeste asiático. Ele é encontrado em águas na Tailândia, Camboja, e Vietnã. Seu habita natural são águas estagnadas, pobres em oxigênio, como os alagados campos de cultivo de arroz.

O Betta splendens selvagem é de um tom marrom desbotado com três faixas horizontais no corpo e alguns pontos irridescentes azuis, verdes e vermelhos. Hoje em dia, podemos encontrar lindos bettas totalmente sólidos nas cores: azul, verdes e vermelhos, que são resultados de cruzamentos e seleção. Estes melhoramentos genéticos possibilitaram a criação de mini-preciosidades, com nadadeiras muitos maiores que as originais. Ele é popularmente chamado de peixe-de-briga, e isto provém do seu instinto combativo, entre os machos de sua espécie e é por esta razão que quando vamos a uma loja de aquário, os encontramos em vidros separados ou em mini-aquários chamadas beteiras próprios para eles. Quando dois machos são colocados juntos num mesmo aquário, dá-se início um combate violento, aonde sempre um dos dois acaba muito dilacerado, levando às vezes à morte. Este combates são motivos de apostas no sudeste asiático como aquelas dos "galos de briga". Quando há o encontro de dois machos, inicia-se um espetáculo. Os dois com as nadadeiras desfraldadas, opérculo aberto e cores avivadas, formam uma bela figura como a de um pavão. Começa um grande ritual de demonstrações, um ao outro, lado a lado, imponentes prontos para o combate. Este se segue com cabeçadas e mordidas, até que um dos dois recue em submissão ao mais forte. Os lutadores em conseqüência dos golpes, acabam desfigurados com suas nadadeiras destroçadas. Porém elas regeneram com o tempo, voltando em um mês a sua beleza total. Em aquário comunitário, seu comportamento perante outras espécies é normal e às vezes até tímido, contrário do seu instinto agressivo com os da sua espécie. As fêmeas, diferentemente dos machos são dóceis e não possuem este instinto violento. Possuem nadadeiras bem menores que a dos machos e podem ser mantidas juntas em qualquer tipo de aquário.

Respiração por labirinto - A respiração do betta splendens é uma das mais interessantes no meio dos peixes ornamentais. Ele possui a respiração branquial normal a qualquer peixe e também uma respiração auxiliar através de um órgão chamado labirinto. Este labirinto é preenchido com o ar atmosférico que é comprimido junto a uma membrana irrigada por capilares de sangue venoso sendo responsável pela trocas gasosas (O2 - CO2). Este labirinto situa-se na cabeça, na porção superior, atrás dos opérculos. O sangue venoso passa por estes capilares e devido a diferença de pressão de O2 e CO2, as trocas gasosas ocorrem junto a esta membrana. Podemos dizer que este sistema respiratório não é só auxiliar, mas de vital importância à sua sobrevivência. O betta necessita de tempos em tempos subir a superfície e "abocanhar um gole de ar" para respirar. Este fato é claramente visto nas embalagens dos bettas machos numa importação, onde inúmeros machos, que são embalados um a um, morrem por falta de ar nos saquinhos que murcham devido ao transporte pesado. Um betta pode morrer "afogado" se uma redinha cair dentro do aquário e prendê-lo no fundo, impedindo-o de subir a superfície e respirar.

Os diversos tipos de formato no betta - Há diversos tipos de betta relacionados ao tamanho de corpo: o betta asiático- normalmente esses bettas são criados em escala industrial nestes países, possuem corpo pequeno e nadadeiras muito longas, esta variedade é feita através de seleções genéticas onde o corpo pequeno realça ou dá a impressão de que o betta possui as nadadeiras muito grandes. o betta médio- provavelmente o mais atraente, possui as proporções normais de um corpo ao tamanho da nadadeiras. É assim a maioria dos bettas criados no mundo todo inclusive no Brasil. o betta jumbo- este betta foi selecionado apartir de exemplares de corpo grande, aumentando assim de geração em geração o tamanho de corpo do betta na linhagem. A primeira vista é um tipo de betta que impressiona pelo seu tamanho e de sua nadadeiras. É um betta muito comercial e atraente, mas não é um bom reprodutor, e tem o tempo de vida mais curto devido ao seu grande peso. Quanto ao tipo de nadadeiras temos: o normal o delta ou véu o dupla calda o pente ou de combate Calda normal ou selvagem possui um formato mais redondo e oval. Com seleções genéticas chegou-se ao padrão mais alongado que encontramos nas lojas de aquário. Ela possui uma boa abertura junto ao pedúnculo caudal e logo depois termina em forma de gota no final. Calda em delta ou em véu foi desenvolvida anos atrás e revolucionou o mundo dos criadores de betta com a nova sensação. Por seleção e retrocruzamentos feitos por criadores famosos, criou-se um betta com uma calda de abertura similar ao do guppy ou lebiste. Hoje em dia já é possível vermos algumas importações com este tipo de calda e até em criações nacionais. Dupla calda é a divisão da calda em dois lóbulos iguais que dão ao betta uma característica toda especial. Porém este formato em borboleta infelizmente não é um sucesso comercial e não é adotado pela indústria de betta no sudeste asiático. Ficando restrito somente a criadores amadores no mundo todo. Isto é devido ao desconhecimento dos iniciantes do aquarismo que preferem na hora da compra o betta com a calda normal por achar que o de dupla calda esteja com defeito, rasgada ou partida ao meio, e não uma formação normal, trabalhada geneticamente. Este gene que causa a formação da calda em borboleta também duplica a quantidade de raios da nadadeira dorsal, embelezando muito mais o betta como um mini-pavão. Calda em pente ou de combate- essa variável possui o alongamento dos raios das nadadeiras, prolongando todas as pontas em todas as nadadeiras do peixe. Este tipo de betta costuma ser raro no mercado, pois as fêmeas não aparentam a mutação e no decorrer das gerações, se não houver um controle genético de acordo estas características, se perdem facilmente.

Cores no betta splendens - O Betta Splendens é uns dos peixes que possuem a maior variação de cor, numa mesma espécie. Existem hoje, mais de vinte cores diferentes disponíveis para o amante do Betta.

Vermelho - A cor vermelha é uma das mais atrativas e cobiçadas pelos aquaristas. É uma variedade difícil de se purificar devido a presença de algum ponto azul ou verde, que "sujam" e tornam impuros esses vermelhos. Os exemplares mais puros possuem até nadadeiras peitorais vermelhas

Preto ou Melano - O preto é umas das variedades mais raras. É uma variedade difícil de se fixar, em razão de as fêmeas pretas serem pouco férteis e até estéreis. Porém não é uma das cores mais atrativas do aquarista perdendo muito longe na preferência pelo vermelho e o azul.

Amarelo - O amarelo é a ausência total da pigmentação vermelha no corpo do betta. É um betta delicado e bonito, e é um betta que não pode faltar em nenhum plantel de criadores.

Azul Metálico- O betta azul, é um dos bettas mais populares no mundo inteiro, sua cor metálica chama atenção de crianças e amantes do aquarismo. A cor azul de betta apareceu no mercado nacional em grandes quantidades somente no começo da década de 80. Apartir dessa data ele junto com o vermelho tornaram-se campeões de venda no Brasil inteiro.

Verde - O betta verde, junto com o vermelho é também de difícil purificação pois a alta irridescencia azul "sujam" a cor verde. É um betta que necessita de boas condições para demonstrar a coloração verde metálica forte, caso contrário em virtude do "stress", sua coloração se torna clara e pálida.

Branco ou Opaque - O super branco ao contrário do que muitos pensam não é o albino, pois não possue o olhos vermelho. Os machos brancos costumam não ser bons reprodutores, por isso normalmente se usam fêmeas brancas para fixar a linhagem.

Camboja - Os cambojas são bettas que tem ausente a pigmentação preta na coloração. Seu corpo costuma ser rosado claro sempre junto a outra cor que pode ser o vermelho, azul ou verde. Por estes cruzamentos entre cambojas, têm-se tirado bettas de coloração lilás, azul claro e roxo.

Azul Aço - Este betta azul aço apareceu nas primeiras importações no final da década de 80. Com tonalidade de um azul metálico acizentado normalmente com a cabeça escura quase preta, é um exemplar fino e de beleza singular.

Albino - O betta albino, como acontece com outras espécies de peixes ornamentais possue característica recessiva, são fracos, enxergam muito mal, e por esse motivo são os que se desenvolvem por ultimo numa ninhada tornando-se sempre maus reprodutores. Os machos desta espécie costumam ser pequenos e normalmente defeituosos. De coloração branco amarelada ,possue o olho vermelho devido a ausência total de melanina. Normalmente são usadas fêmeas albinas cruzadas com machos heterozigotos para o albinismo, no intuito de fixar as linhagens.

Mármore - O betta mármore é muito disputado entre os criadores, possue o corpo marmorizado normalmente com três cores diferentes, sendo a preta sempre principal. Um exemplar de corpo escuro azul ou preto, cabeça rosada e manchas vermelhas nas nadadeiras torna-o desejado por qualquer colecionador de betta.

Butterfly (borboleta) - Este betta possui sempre dupla coloração relacionado com as nadadeiras. Normalmente possui o corpo azul ou vermelho preenchendo com esta mesma coloração até a metade das nadadeiras, apartir daí pode ser transparente ou simplesmente branco. A situação inversa onde a coloração escura seja nas bordas tem sido constantemente tentado por criadores famosos no mundo todo, mas sempre sem sucesso significativo.

Alimentação - O betta aceita qualquer tipo de alimento. Ele pode ser condicionado ao alimento industrializado seco ou qualquer outro tipo de alimento vivo. Dentre os alimentos vivos, podem ser ministrados ao betta: artêmia salina adulta, bloodworms, tubifex desde que seja limpo, larva de mosquito, daphineas, larva de besouro do amendoim e outros. Quando optamos pelo alimento seco é preciso somente que se tenha cuidado com a quantidade ministrada, para não se poluir a beteira ou o aquário. É preciso certificar-se que o alimento dado seja ele seco ou vivo, seja consumido no máximo em 5 minutos. Caso contrário o alimento não consumido se deteriorará fermentado a água desequilibrando a biologia do aquário.

Os parâmetros da água - O betta não é muito exigente quanto aos parâmetros de água. Por isso hoje ele se tornou um dos peixes mais vendidos nas lojas de aquários. Qualquer pessoa sem nenhuma experiência anterior com aquários consegue manter um betta em sua beteira em condições satisfatórias. Logicamente alguns requisitos básicos são importantes, como por exemplo: a precaução quanto ao uso direto de água da torneira clorada na troca de água da beteira. Este são alguns dos pontos importantes orientados pelo lojista ao iniciante, que se seguido corretamente, prolongará a vida do betta, talvez em anos.

A temperatura ideal para o betta fica em torno dos 27.5 ºC. Mas ele é resistente a mudanças bruscas e pode suportar temperaturas baixas como 23ºC e altas de 34ºC. No inverno procure colocar a beteira no local mais quente da casa protegendo-o contra o frio. Outra dica é coloca-lo embaixo do abajur onde a lâmpada incandescente esquentará o ambiente entorno da beteira aquecendo a água.

pH - O betta splendens também é muito resistente a variações de pH, sendo por isso sempre indicado ao iniciante que normalmente deseja ter um peixe em sua casa, mas desconhece escalas de pH e dureza. O pH ideal ao betta é de 6.8, mas ele resiste muito bem a choques de pH, podendo inclusive se reproduzir em escalas diferentes a esta acima. O betta pode ser mantido à água da torneira desde que ela seja descansada por uns dois dias para a evaporação total do cloro, este, prejudicial e até mortal ao peixe em níveis elevados.

Dureza - Quanto a dureza, pode se dizer que ele é originário de água de dureza baixa sendo ela ligeiramente mole. Os níveis de dureza não afetam o comportamento do betta e ele pode se reproduzir com sucesso em diferentes escala.

Alguns conselhos básicos para boa manutenção do betta em beteiras - Alimente o seu betta em pequenas quantidade várias vezes ao dia do que grandes quantidades poucas vezes - Troque sempre 1/3 da água cada dois dias, e não a água toda uma vez por semana - Coloque uma vez por dia um pequeno espelho junto a beteira, pois seu reflexo provocará o seu instinto brigador o fazendo com que abra as suas nadadeiras exercitando-se. - Procure deixar dois galões grandes de água, em repouso por três dias, a fim de que evapore o cloro usado no tratamento da água da rede pública.

Reprodução Para começarmos a falar de reprodução, é preciso deixar bem claro que sendo ele um peixe de fácil manutenção não o faz necessariamente um peixe de fácil reprodução. São inúmeras pessoas que se queixam sobre as grandes dificuldades neste item. Pessoas que se chateiam em ver ninhadas enormes de quase 300 alevinos morrerem em poucos dias, sem resposta ou cura para este fracasso. Os iniciante podem e devem tentar sua reprodução se o desejar, mas sem dúvida, uma pessoa que já obteve sucesso na reprodução de outros vivíparos e até mesmo ovíparos, terão mais condições de conseguir sua reprodução.

Reprodução-O aquário - deve ser todo de vidro e não possuir cascalho ou filtro biológico de placas. O fundo deve ser limpo de qualquer decoração. O motivo disto é que na hora do acasalamento e fecundação, os ovos que não são flutuantes, afundam e se houver algum tipo de cascalho, este se perderá e não poderá ser achado e colocado no ninho pelo macho. O tamanho do aquário pode variar , mas normalmente é usado um modelo pequeno, de fácil manejo e manutenção. O mais recomendado e usado pelos criadores fica entre as medidas 40 x 25 x 30 (30 litros) ou 35 x 15 x 20 altura (10.5 litros).Os equipamentos necessários são: * uma calha para iluminação, com lâmpada de 25 w, * um termômetro para controle da temperatura, * um aquecedor com um termostato para fixação da temperatura certa, * uma tampa de vidro para evitar a saída do ar quente importante à sobrevivência dos alevinos, * um tufo de planta, que pode ser de samambaia aquática ou cabomba, para que a fêmea possa se esconder dos ataques, as vezes, violentos do macho. O aquário deve ser montado num lugar tranqüilo e a água deve ser descansada por três dias e ser desprovida de cloro, temperatura 27 ºC, e pH próximo do neutro.

Estando pronto, o aquário, é hora de colocar o macho e em seguida a fêmea, só que ela deve estar isolada em banho-maria, afim de se evitar a agressividade do macho para com ela. Pode ser utilizado um pote de vidro (para usados em conserva), bem limpo para deixar a fêmea à vista do macho. A altura da água deve ser baixa (10 a 15 cm) para que o pote não flutue, impedindo a fêmea de sair. O macho instantaneamente abrirá as nadadeiras se mostrando para a fêmea, rodeando o pote e tentando uns ataques contra ela. Este cortejo se prosseguirá ao longo do dia, e aos poucos o macho começará a construir um ninho de bolhas pequeninas num canto do aquário junto as plantas. A fêmea apta a desova demostra ser bem redonda, indicando boa quantidade de óvulos, uma coloração forte, com algumas barras verticais no corpo e o ovopositor branco proeminente. A fêmea só deve ser solta quando o ninho estiver grande, caso contrário se o macho não demonstrar interesse na fêmea ou em construir um ninho, este deve ser substituído imediatamente. O prazo normal para a construção do ninho é aproximadamente um dia. Normalmente a fêmea deve ser solta na manhã seguinte, após 24-36 horas. Para se ter idéia do que seria um bom ninho, ele deve ter no mínimo 10 cm de diâmetro. Existem macho que são bons reprodutores mas que constroem ninhos pequenos, outros que constróem belíssimos ninhos mas são tão agressivos que matam suas parceiras antes da desova. É necessário que aos poucos você conheça bem as características do macho, acompanhando de perto, os rituais de cada desova. Aqueles que são muito violentos, constróem ninhos minúsculos, comem seus ovos ou alevinos, estes devem ser descartados do plantel de machos reprodutores. Depois que soltamos a fêmea ela poderá apanhar um pouco do macho, até que o acasalamento aconteça.O macho deve aceitar a fêmea e ela deve se dirigir para baixo do ninho em direção da ventre do macho. Nesta hora o macho abraçará a fêmea com o seu corpo em "U", pressionado seu corpo num ato trêmulo e singular. Após alguns abraços, a fêmea começará a soltar pequenos óvulos que são fecundados no mesmo abraço pelo macho, que em seguida os recolhe do fundo com a boca e os coloca um a um em cada bolha do ninho. Este ritual se repete por várias horas e o número final de ovos pode variar de 100 a 600 dependendo da idade e tamanho da fêmea. Após o término do acasalamento o macho perde o interesse pela fêmea tornando-se agressivo com ela, afastando-a para longe do ninho. Nessa hora devemos retirar com cuidado a fêmea, para que o ninho com os ovos não seja danificado. O macho cuidará, consertando e recolocando algum ovo que se desprenda do ninho. O mesmo cuidado continuará ao final de 36 horas com os alevinos que começam a sair do ovo e cair no fundo do aquário. O macho se encarregará de todos os cuidados com os alevinos até que eles estejam aptos a nadar e procurar seu alimento sozinho. Neste período de aproximadamente três dias os alevinos se alimentarão exclusivamente do saco vitelino e ficarão pendurados numa posição vertical seja no ninho, na parede do aquário ou mesmo nas plantas. No momento que os alevinos tomam a posição horizontal retirar-se imediatamente o macho. Ele por não se alimentar durante a reprodução começa a perder o instinto paterno e começa a sentir uma fome pelos mesmos alevinos que cuidou nestes dias. Uma pedra porosa ligada fracamente deve ser colocada para oxigenar a água já que os alevinos não nascem com o labirinto formado e a capacidade de respirar o ar atmosférico. Alguns criadores defendem a idéia de se alimentar os alevinos inicialmente com infusórios, mas após vários estudos ficou comprovado que ninhadas alimentadas somente com náuplios de artêmia obtinham um resultado de mais de 90% de sobrevivência e desenvolvimento normal até a fase adulta. Isto foi praticamente adotado pela maioria dos criadores, pois aqueles alevinos menores que necessitariam de infusórios morreriam já na primeira semana. Se fossem salvos seriam aqueles filhotes que demorariam mais a crescer, seriam menores e dificilmente se tornariam grandes exemplares no futuro. Os náuplios de artêmia devem ser dados à ninhada três vezes ao dia, e em todos os cantos do aquários, pois os alevinos de bettas são vagarosos, e não correm atrás do seu alimento como por exemplo um alevino de lebiste que já nasce com velocidade e esperteza. O desenvolvimento é rápido, e ao longo de 10 dias o seu tamanho dobra, e no decorrer do primeiro mês a ninhada pode ser transferida para um aquário maior , ou simplesmente dividida em vários outros aquários para aumentar o espaço não prejudicando o crescimento dos filhotes. É preciso tomar cuidado nos primeiros 20 dias, estágio crítico, onde os filhotes começam a formar o labirinto e iniciar a sua respiração aérea. O aquário deve sempre estar bem tampado pois uma pequena tomada de ar frio poderá ser fatal à aqueles filhotes que estão pela primeira vez abocanhando o ar. Ao final de dois meses os menores podem ser separados dos maiores e a alimentação pode ser alternada para uma ração floculada fina ou qualquer alimento seja ele vivo ou não que caiba em sua boca. Com três meses de idade os pequenos machos podem ser identificado pela sua forte coloração, corpo mais delgado, e demonstrando já pequena agressividade com seus irmãos. Nesta hora eles podem ser colocados em potes de vidro e alimentados separadamente. Se tomadas as exigência de uma boa dieta e boas condições de higiene com trocas regulares de água, rapidamente você terá uma enorme quantidade de jovens machos vermelhos ou azuis, nos passando uma sensação gratificante após tanto esforço e trabalho. Uma pequena seleção ao final de cinco meses deve ser feita para garantir as melhores matrizes no futuro.

Doenças principais - Quando falamos de doenças, estamos falando de deficiência. Mas não deficiência do peixe ,e sim alguma deficiência na sua alimentação, ou higiene do aquário e da água. Num aquário onde as condições para uma adequada biologia não estão deacordo, a pressão de infecção aumenta violentamente. É certo que muitas bactérias e vírus em pequenas quantidades fazem parte da flora do nosso aquário, mas somente em condições ruim de higiene, elas se multiplicam aumentado a pressão de infecção e tornando-as prejudiciais ao peixe.

Podemos citar abaixo alguns dos motivos mais simples que causam doenças: * peixes mal alimentados, tendem a possuir uma resistência menor a qualquer tipo de doença, * peixes sobre stress, devido a condições inadequadas de temperatura, pH ou dureza, também estão mais propenso a serem hospedeiros de parasitas e bactérias, * aquários super lotados são normalmente os locais onde surgem as doenças devido a alta taxa de amônia, desequilibrando a biologia da água, e provocando a explosão de bactérias por exemplo. * peixes alimentados com comida viva, como tubifex, estão sempre em maior contato com parasitas, que hospedam estes vermes nos locais onde eles são coletados. Portanto antes de se preocupar com uma possível doença, procurando de imediato as medicações, verifique as condições dos seus peixes, tentando definir a causa, para uma melhor remediação e tratamento do problema.

Abaixo estão listadas algumas das doenças mais comum ao betta:

Ictio - são aqueles pequenos pontos que cobrem o corpo do peixe, fazendo o coçar nas plantas e pedras. Este parasita aparece quando o peixe está a uma temperatura mais baixa do que é recomendada. Deve ser tratada com um parasiticida próprio vendido nas lojas e adicionado na própria água do aquário. Junto ao tratamento deve ser feito um aumento de temperatura melhorando bem as condições do peixe.

Oodinium - conhecido como veludo, é uma das doenças mais devastadoras de filhotes de betta. O corpo do peixe fica recoberto por uma fina malha de minúsculos pontos brancos, como se o peixes estivesse encoberto em talco, dando a impressão de um veludo. Suas nadadeiras se fecham e eles começam a procurar objetos pelo aquário para se esfregar. Hoje em dia já existem medicamentos próprios contra essa doenças, que devem ser ministradas em doses corretas por serem a base de cobre, e o cobre em taxas elevadas na água pode ser fatal aos peixes.

Fungo de boca - isto acontece sempre que um betta sobe para respirar o ar e recebe um choque térmico devido a diferença de temperatura da água e do ar. É facilmente medicado com a colocação de uma tampa e o uso de um fungicida.

Hidropsia - causado primariamente por um vírus, hoje sabe-se que bactérias também estão envolvidas. E as vezes é provocado somente por uma infecção bacteriana. Sua cura ainda hoje é muito discutida e normalmente só é conseguida se diagnosticada inicialmente. Seus sintomas são o aumento da parte interna do peixe, provocando o eriçamento das escamas. O peixe com este sintoma deve ser isolado rapidamente, para se evitar um contágio maior. Deacordo Dr.Untergasser, famoso patologista alemão de peixes ornamentais, três métodos de cura são conhecidos, porém seu sucesso dependerá muito da resistência do peixe ao medicamento, estágio em que se encontra a doença e condições em que o peixe é tratado como temperatura, parâmetros de água e biologia do aquário. Das três selecionei a mais simples ao público iniciante que consiste no uso de tetracyclina na dosagem de 1g para 100 litros de água por quatro dias ou 100mg por 1 litro de água por 24 horas num aquário hospital. A temperatura da água deve ser elevada para 32 ºC.

Nadadeiras avermelhadas e corroídas - esta doença costuma aparecer nos machos que são mantidos nas beteiras. O peixe nesta condição deve ser isolado para longe das outra beteiras, pois isto é causado por uma bactéria, e uma simples gota que passe para a outra beteira, devido ao uso da mesma rede, ou esponja usada para limpar as beteiras contaminará os outros machos. O tratamento é fácil, com o uso de bactericidas próprios de aquariofilia junto a uma boa manutenção de higiene da água. Estas são apenas algumas das doenças mais comuns, que podem ser evitadas com os devidos cuidados na sua manutenção.

Lembre-se que é sempre mais fácil prevenir do que remediar, e que todos nós estamos expostos a problemas sejamos exper no assunto ou não, por isso não desanime e sim encare a doença como um desafio a ser combatido.

Neste pequeno resumo procurei passar um pouco da minha experiência, com este fantástico peixe que é o betta splendens, que tem encantado crianças e adultos dia a dia neste mundo aquarístico. Por ser resistente, possuir uma enorme variedade de coloração, reprodução exótica e respiração excentrica o betta tem conquistado mais e mais adeptos, sendo hoje um dos peixes mais conhecidos e comercializado no mundo todo.

William Sugai