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Os
Kinguios e sua manutenção em aquários ornamentais.
Marcelo Jorge Cunha
Sem dúvida nenhuma o kinguio, mais popularmente conhecido como
japonês, ou dourado, é o peixe ornamental mais conhecido
no mundo. Têm-se notícia de que os orientais já mantinham
kinguios em aquários desde 618 AC. Sendo certo que existem documentos
sobre sua criação datados de 479 DC.
A palavra kinguio, traduzida do japonês para o português significa
peixe vermelho.
Seu nome científico é carassius auratus (Linneu), sendo
originário da China, pertencendo à família dos ciprinídeos,
que é a mais numerosa em espécies de peixes de água
doce.
Em razão da sua difusão, os kinguios possuem várias
denominações populares no mundo todo, sendo conhecidos também
como Cauda de Véu, Véu de Noiva, Peixe Japonês, Peixe
Vermelho, Japonês, Dourado, Pimpão, Poisson Rouge (França),
Goldfish (Estados Unidos da América) e Pesci Rossi (Itália).
Em razão da sua criação seletiva por muitos psicultores
de todo o mundo, podemos dizer, sem medo de errar, que os kinguios possuem
variações de cores e formatos praticamente infinitos. Existem
os kinguios coloridos comuns, facilmente encontráveis em qualquer
loja, e os kinguios de raça, que são consideravelmente caros,
mas, sem sombra de dúvida são os mais belos.
Apesar de toda a sua popularidade, entre os aquaristas iniciados e experientes,
encontramos muitas resistências aos kinguios. Alguns dizem que ele
é um peixe de principiante, muito fácil de manter. Outros
dizem que ele é um peixe de água fria, que não pode
ser mantido em locais de clima quente. Outros ainda o repudiam por considerá-lo
um peixe de tanques externos e lagos de jardim, não sendo próprio
para aquários ornamentais.
Não tenho a pretensão de desmentir nenhuma destas opiniões.
O meu objetivo, pura e simplesmente, é difundir o resultado das
minhas experiências no manejo diário do meu aquário
decorativo - onde só mantenho kinguios - a fim de fornecer algumas
dicas básicas para aqueles que, como eu, são admiradores
desta espécie de peixe e pretendem se iniciar na sua manutenção,
uma vez que não conheço na literatura aquarística
brasileira uma obra completa sobre os kinguios.
Por tratar-se de um guia básico, não pretendo discorrer
sobre procedimentos relacionados à reprodução destes
animais.
Bem, vamos dividir a montagem do tanque em três etapas.
A primeira etapa é a escolha do tanque, do sistema
de filtragem e oxigenação, do substrato, da iluminação
adequada e das plantas.
A segunda etapa trata da ciclagem do tanque, depois de
montado, bem como dos procedimentos necessários para que a água
fique nas condições ideais para os kinguios.
A terceira e última etapa diz respeito à
escolha dos peixes, seu comportamento e sua alimentação.
Iniciando a primeira etapa, quanto ao tanque, sugerimos que ele seja o
maior possível, pois os kinguios crescem e se desenvolvem proporcionalmente
ao espaço que possuem para nadar. Quanto mais espaço, maior
ficará o peixe.
Mas considerando que este artigo limita-se a aquários decorativos
residenciais, sugerimos a utilização de um tanque de 80
x 30 x 40 centímetros. Neste tanque poderemos manter adequadamente
6 kinguios. Encontre o local definitivo para o tanque antes de montá-lo.
Procure um local que receba luz natural, sem receber sol direto, longe
de aparelhos eletro-eletrônicos e distante do barulho excessivo.
O sistema de filtragem mais barato e que possui relativa eficiência
é o filtro biológico de fundo, com a utilização
de uma bomba submersa com mangueira venturi. Apesar de ser o mais barato,
não é o mais recomendável, pois este tipo de filtragem
simplesmente recolhe a sujeira da água para posterior decomposição
através da ação das colônias de bactérias
que se formam abaixo das placas que são instaladas no fundo do
aquário. Para podemos conseguir um excelente nível de filtragem
e de oxigênio dissolvido na água, o mais recomendável
é a utilização de um filtro externo com lã
perlon e carvão ativado.
Como substrato sugerimos que seja utilizado cascalho de pedra rolada (conhecido
como cascalho de rio), que não altera o ph da água, além
de proporcionar uma aparência bem natural ao tanque. Se quiser utilizar
pedras use - com moderação - aquelas do tipo dolomita (pedras
brancas conhecidas como pedras- de- fogo). Uma pequena quantidade delas
proporciona uma leve alcalinização na água, além
de um belo efeito visual.
Quanto à iluminação, sugerimos a utilização
de uma lâmpada tipo grolux, na proporção de 1 watt
por litro de água. Este tipo de iluminação realça
as cores dos peixes, além de acalmá-los, proporcionando
também bom resultado no desenvolvimento das plantas, se utilizado
adequadamente. Por isso, sugerimos que a iluminação do aquário
fique acesa de 8 a 12 horas por dia.
As melhores plantas para aquários decorativos de kinguios são
as valisnérias, echinodorus, cabombas e elódeas. Não
precisa plantar o aquário demais, utilize o seu gosto pessoal e
bom senso. O kinguio não é um peixe tímido que gosta
de se esconder atrás da vegetação, pelo contrário,
gosta de comer a vegetação. Por isso não vou condenar
aqueles que desejem utilizar plantas plásticas artificiais em seus
tanques. A utilização de plantas naturais, sem dúvida,
é uma opção mais inteligente, visto que oxigenam
a água e funcionam como excelente indicador da qualidade da mesma.
Quando alguma coisa não vai bem, as plantas logo apresentam alguma
anormalidade. Entretanto, podem trazer doenças para o seu aquário,
uma vez que cedo ou tarde os kinguios vão comê-las e você
terá de substituí-las com certa regularidade. A cada substituição
a nova planta introduzida no aquário deve ser adequadamente desinfetada.
Utilize os desinfetantes encontrados em lojas especializadas. Seguindo
às instruções da bula do produto não precisará
temer doenças trazidas por plantas.
Bem o seu tanque já está montado, agora vamos tratar da
ciclagem, das condições da água, e, finalmente da
escolha dos peixes.
Ao montar o tanque, procure utilizar-se de um produto desclorificador
e que remova os metais pesados utilizados para o tratamento da água
potável fornecida nas grandes cidades. Existem muitas opções
no mercado. Deixe o tanque em repouso durante 20 dias com a filtragem
ligada. Durante este período haverá sua estabilização,
chamada de ciclagem, com o desenvolvimento parcial das bactérias
que serão as responsáveis pela filtragem biológica.
Durante este período verifique a média da temperatura da
água, o ph, a dureza, bem como os níveis de nitritos e nitratos.
Após a colocação dos peixes o teste regular de amônia
passa a ser necessário.
Não se preocupe como o aquecimento, pois os kinguios não
precisam dele se a temperatura mínima da água registrada
durante o ano for superior a 5 Cº. Afinal, tratam-se de peixes de
água fria.
As condições ideais da água para manutenção
de kinguios são: temperatura de 5 a 30Cº, água dura,
ph de 7,4 – ligeiramente alcalino. Se tiver problemas com o seu
ph, poderá usar tamponador químico que mantém o ph
fixado em 7.0, existem inúmeros produtos de boa qualidade nas lojas
especializadas. Seu uso deverá acompanhar as instruções
da bula. Mas o tamponador deverá ser introduzido no tanque antes
dos peixes, preferencialmente.
Creio que os níveis de nitritos e nitratos, após 20 dias
de ciclagem, não serão problema para você, se forem,
as causas da anormalidade têm de ser descobertas e solucionadas
antes da introdução dos habitantes do aquário.
Bem, partindo da premissa de que tudo está bem, vamos à
escolha dos peixes.
Você possui um tanque ideal para a manutenção de 6
kinguios. Resista à vontade de superpovoar o aquário e limite-se
a esta quantidade. Escolha os exemplares mais coloridos, mais brilhantes
e que estejam com as suas nadadeiras abertas e inteiras. As opções
são infinitas, utilize o seu gosto pessoal e procure adquirir exemplares
com mais ou menos entre 08 e 10 cm, pois são peixes bastante jovens
e que ficarão muitos anos com você, pois esta espécie
tem longa expectativa de vida, sendo muito fácil de manter.
Procure, se possível, adquirí-los na mesma época,
isto facilita a adaptação do grupo ao novo ambiente.
Os kinguios são peixes dóceis, calmos, amigos e até
indefesos. Interagem mais com o aquarista do que os peixes tropicais em
geral, com algumas semanas de convívio já deverão
estar comendo na sua mão e lhe "reconhecendo" quando
você se aproximar do aquário.
A alimentação deverá ser bem variada. Eles aceitam
bem artêmias salinas vivas, pedaços pequenos de carne de
camarão do mar cru, além de alimentos secos em geral. A
alimentação seca deve ter sua base nos tipos peletizados,
especializados para kinguios, sendo que a ração flocada
deve ser, também específica para este tipo de peixe. Opte
pelas rações de primeira linha, o custo-benefício
compensa. Lembre-se os kinguios não são peixes tropicais.
Devem ser alimentados duas vezes ao dia, em quantidade suficiente para
ser consumida em 3 minutos. Uma dica: procure alimentar os peixes com
os alimentos naturais pela manhã e com os secos à tarde.
Isto melhora à assimilação das proteínas e
demais nutrientes pelos kinguios.
Estes peixes sujam muito a água, pois fuçam o substrato
do aquário, arrancam e comem as plantas. A sujeira também
decorre da consistência pastosa de suas fezes. Por isso a filtragem
do aquário deve ser eficiente e com capacidade superior ao número
de litros do tanque – exemplo – para um tanque de 80 l, utilize
um filtro compatível com 120 l.
Não se esqueça a filtragem deve funcionar 24 h por dia,
não devendo ser desligada à noite.
A manutenção do tanque deve ser exatamente a mesma dos aquários
decorativos em geral, com troca parcial semanal de 20% da água
e sifonagem do fundo de 15 em 15 dias.
Marcelo Jorge Cunha é aquarista há 22 anos.
O e-mail para contato com o autor é mjcunha@tj.rj.gov.br
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