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Uma Viagem ao Mar Vermelho

Certo dia fui surpreendido no trabalho com a idéia de viajar para Israel. Uma viagem de negócios que ao mesmo tempo era excitante pela possibilidade de conhecer o mar vermelho e "perigosa" em relação aos noticiários que passam quase que diariamente aqui no Brasil.
É difícil imaginar como é realmente a vida em Israel. Se você é uma pessoa que só ouviu falar de Israel pela televisão, então sua visão deve ser a mais distorcida possível. Por exemplo, estar andando na rua e, de repente, ouvir uma explosão aqui e outra ali.
Posso estar exagerando, ou generalizando, mas aproximadamente todas as pessoas às quais conto que estive em Israel falam algo do tipo: "Loucura, você é louco ?", "Você não teve medo ?", "Você ouviu alguma bomba ?". Obviamente o risco existe, mas a maioria dos conflitos ocorre em território palestino e não território Israelense.
Depois dessa viagem posso assegurar que Israel é muito seguro se compararmos com a cidade de São Paulo, além de ser um país com uma história exuberante e com lugares fascinantes para serem visitados. Um desses lugares é o Mar Vermelho.
Deixando o perigo de lado, fiz as malas e fui viajar.
Chegando em Israel, encontrei uma cidade desenvolvida e sem pobreza. Fiquei surpreendido com um índice de analfabetismo praticamente zero, alias, praticamente todos os israelenses falam inglês, o que facilitou minha viagem.
Os israelenses não são nada parecidos com nós Brasileiros. Eles são mais reservados e sérios. Talvez nós Brasileiros é que sejamos receptivos e descontraídos demais, mas o fato é que se você for estrangeiro e ainda não for judeu, vai ter um pouco de dificuldade para se enturmar.
Fiquei hospedado num hotel numa cidade chamada Herzelya, um pouco acima da parte central de Israel. Planejei minha saída para uma quinta-feira depois do trabalho (o fim-de-semana em Israel começa na sexta-feira e acaba no sábado), peguei o carro e fui para uma cidade chamada Eilat, no sul de Israel, onde tem um mar chamado Red Sea, muito conhecido por nós aquaristas.
Eu, aquarista marinho de carteirinha a quatro anos, sempre ouvi falar do mar vermelho como um lugar paradisíaco em relação à vida marinha, mas nunca tinha visto fotos e vídeos do local. Era um lugar praticamente desconhecido para mim, mas eu tinha certeza que eu conhecia até o nome científico de vários animais que vivem debaixo daquelas águas.
Antes de pegar a estrada para o sul do país, comprei um mapa de estradas de Israel e descobri que eu teria que dirigir a maior parte do tempo através de um deserto, o Negev. Isso me deixou assustado, afinal os desertos daquela região não são muito amigáveis. Mas para conhecer o Mar Vermelho valeria a pena. Foram aproximadamente 5 horas de carro, durante todo o tempo praticamente só havia deserto como paisagem, com direito até a camelo atravessando a estrada. Não vi nenhum posto de gasolina e nenhum sinal de civilização. Eu ficava imaginando algum problema no carro. Se eu não conseguisse carona provavelmente teria que dormir no banco traseiro.
Apesar do deserto ser extremamente seco, inúmeras placas indicavam perigo por causa de pancadas de chuva que ocorrem raramente. O deserto é incapaz de absorver essa água rapidamente devido às grandes montanhas que envolvem a estrada, e grandes regiões de inundação podem ocorrer, bloqueando a estrada.

Deserto do Negev

Eilat, Mar Vermelho.
Cheguei em Eilat já estava noite, minha ansiedade em ver o mar era tanta que cheguei a ir à praia no escuro só para entrar no clima. Mal podia esperar para ver o que havia dentro daquelas águas. Voltei para o albergue para dormir e ajustei o despertador para as seis horas da manhã.
Quando acordei de manhã , abri a janela do quarto e finalmente vi o Mar Vermelho. Alem de ver o tão esperado Red Sea, vi uma cidade muito bonita, com bons hotéis e uma infra-estrutura de país desenvolvido. Mas isso só existe na parte Israelense, a parte Egípcia é muito pobre e rústica.
Vendo da janela, a água não parecia muito cristalina, não havia uma onda sequer e muitos navios e barcos navegavam na região. O que importava naquele momento era que, apesar de qualquer parecer meu, aquilo era o mar vermelho, e eu precisava ver o mais rápido possível por que ele era considerado um dos melhores pontos de mergulho do mundo e o paraíso natural dos amantes de aquários, e eu queria verificar isso logo.
A minha vontade de mergulhar era tanta que logo que vi a paisagem acima resolvi dar uma voltinha na praia para ver se via algum coral ou alguma coisa (já que às 6:30 estava tudo fechado mesmo). Quando cheguei na praia, comecei a caminhar e não conseguia ver nada, até porque o sol estava muito fraco. Estava muito ansioso para ver o que tinha debaixo daquela água. Reparei que havia pouca areia e muito cascalho. Voltei para o albergue para me informar onde havia uma operadora de mergulho ali perto. Um rapaz me informou que ali não era o melhor lugar para mergulhar, aconselhou pegar o carro e dirigir alguns kilômetros que eu chegaria a uma operadora.
Chegando lá, um tanto afastado do lugar onde estavam os hotéis, encontrei uma operadora de mergulho localizada no meio do nada.
Chegando lá, um dive master romeno, muito simpático e bem diferente do padrão israelense, me recebeu muito bem quando ficou sabendo que eu vinha do Brasil. Ele foi logo se oferecendo como companhia para o mergulho, pois seria o seu primeiro mergulho com um brasileiro.
A operadora é a Snuba Diver, muito competente e com ótimos equipamentos. Fiquei impressionado com o nível de profissionalismo encontrado ali. Só é possível mergulhar ali se você tiver um seguro internacional, que da direito até a câmara de descompressão, caso algum acidente indesejado venha a ocorrer. Confesso que poucas vezes me pediram essa carteirinha aqui no Brasil. Como eu estava totalmente preparado, com seguro e tudo, fui montando o equipamento enquanto conversava com o meu "dupla".
Ele ficou muito interessado nos "points" de mergulho do Brasil. Eu disse que não temos "points" comparáveis ao mar vermelho e ele logo disse: "Ah, você não viu como está esse lugar hoje. Há dez anos atrás estava bem diferente".
Logo pensei que estaria bem depredado, com corais brancos e poucos animais, mas descobri que o mar vermelho da parte Israelense é muito visitado e muito turístico. Isso resulta realmente nesse tipo de problema.

Vista do Mar Vermelho
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